Florianópolis, 18 de abril de 2016.
Terça-feira, 17h20min.
Saudações, gente bonita...!!!
É com prazer que convidamos a todas e todos a participarem dos aulões gratuitos de yoga neste semestre...!!!
Venha fazer yoga conosco...!
Levem seus tapetinhos, canga, água e usem roupas confortáveis...!
Integre-se conosco...!
(***)
Por Raynara Candisse Esmeraldino.
PROJETO PRÁTICAS CORPORAIS INSCRIÇÕES ABERTAS 2017-1
Florianópolis, 10 de março de 2017.
VITRAL, 09h32min..
Saudações, pessoas.
É com prazer que convidamos tod@s para participarem das atividades do Projeto Práticas Corporais.
Dançar, Fazer Yoga, Ginástica Geral e Meditar faz bem para o Corpo, para a Mente, para o Alma. Viva!
Por Raynara Candisse Esmeraldino.
Bolsista VITRAL/CDS/UFSC
Graduanda em Ciências Sociais UFSC.
VITRAL, 09h32min..
Saudações, pessoas.
É com prazer que convidamos tod@s para participarem das atividades do Projeto Práticas Corporais.
Dançar, Fazer Yoga, Ginástica Geral e Meditar faz bem para o Corpo, para a Mente, para o Alma. Viva!
Por Raynara Candisse Esmeraldino.
Bolsista VITRAL/CDS/UFSC
Graduanda em Ciências Sociais UFSC.
ACAMPAMENTO DOCENTES DA UFSC
| 17:31 (Há 15 horas)![]() | ![]() ![]() | ||
| ||||
| Fórum da Graduação | ||
| Olá!
Está acontecendo um acampamento de docentes da UFSC (de diferentes Centros e Cursos e com docentes vinculados à APUFSC e ao ANDES), por tempo determinado (22 a 25/11), em frente à reitoria, com os seguintes objetivos:
*Dar mais visibilidade, apoio e aumentar as mobilizações na UFSC, reunir os docentes e nos mobilizarmos contra a:
* PEC-55
* Reforma do Ensino Médio
* Escola sem Partido
* violência aos movimentos sociais, especialmente dento da UFSC.
Os/as docentes não estão em greve e/ou paralisados, mas mantendo suas atividades e fazendo mobilizações de conscientização contra políticas que resultarão em perdas ou precarização de direitos sociais e afetarão, inclusive, condições de acesso e permanência e na realização das atividades de ensino, pesquisa e extensão nesta Universidade.
Assim, organizamos uma programação com várias atividades (programação completa em anexo), sendo que hoje a noite terá:
Aula pública "Reforma do ensino médio e implicações para o trabalho docente" 18h30 -Prof Dra Roselane Campos.
Vocês estão tod@s convidad@s!
Atenciosamente, Profª Jocemara Triches Anexos: Veja o tópico em: http://forum.cagr.ufsc.br/ ______________________________ Tópico criado por Professor(a): Jocemara Triches
Você pode bloquear o recebimento de emails em: www.forum.cagr.ufsc.br/
(***) ACAMPAMENTO DOCENTES DA UFSC EM FRENTE À REITORIA Bom dia, pessoas. Compartilhei a mensagem que recebi do Fórum de Graduação da UFSC a qual explica melhor sobre o acampamento das/dos docentes da UFSC em frente à reitoria, de forma que estas pessoas fortalecem o movimento de paralisações das/dos acadêmica/os, secundaristas e simpatizantes ao movimento. Raynara Candisse Esmeraldino. Bolsista VITRAL/CDS/UFSC Graduanda em Ciências Sociais Noturno UFSC.
|
Posicionamento do Vitral Latino Americano perante o Cenário Político Brasileiro Atual (Governo Temer) 2016-2
"A Fala dos Estudantes do CSE". 10nov. CSE (Centro Socio Econômico) UFSC.
#AtualizandoBlog
Diante todo o #CenarioPoliticoBrasileiro, inicio a atualização do #blog#VitralLatinoAmericano com o vídeo de manifestação do #CSE em relação às #Ocupaçoes.
De forma clara e objetiva é explícito por meio deste vídeo a perspectiva das/dos estudantes do #CSE em relação ao seu prisma perante a #PEC55#PEC241 #OCUPAÇOES
"Por Nenhum Direito a Menos."
O #VITRALLATINOAMERICANO faz parte do #IELA, de forma que é contemplada a ideia da ocupação na práxis. É a favor as ocupações. O IELA (Instituto de Estudos Latino Americanos) encontra-se no CSE (Centro Socio Econômico) da UFSC.
Meu pensamento particular, como Raynara Candisse Esmeraldino, é que toda entidade que preza por um ideal precisa se posicionar sempre. Expor seu posicionamento perante as configurações políticas que aparecem/as contingências.
Por conseguinte, compartilhei no facebook do Vitral <https://www.facebook.com/vitral.latinoamericano.5> e atualizo o blog com a corroboração do Vitral Latino Americano perante ao cenário político brasileiro de 2016-2, ou seja, perante as medidas que o #GovernoTemer quer aplicar. Medidas que, infelizmente já foram aprovadas na Câmara dos Deputados e no Senado.
Por conseguinte, compartilhei no facebook do Vitral <https://www.facebook.com/vitral.latinoamericano.5> e atualizo o blog com a corroboração do Vitral Latino Americano perante ao cenário político brasileiro de 2016-2, ou seja, perante as medidas que o #GovernoTemer quer aplicar. Medidas que, infelizmente já foram aprovadas na Câmara dos Deputados e no Senado.
O VITRAL LATINO AMERICANO É CONTRA A PEC 241 (55).
É CONTRA!
O VITRAL LATINO AMERICANO É A FAVOR DAS OCUPAÇÕES...!
É A FAVOR DOS DIREITOS DAS/DOS ESTUDANTES.
A FAVOR DA EDUCAÇÃO, SAÚDE E SEGURANÇA PÚBLICA!
Nossa Senhora do Desterro, 21 de novembro de 2016.
Segunda-feira, 18h43min.
Discutindo Educação Física na América Latina
A Universidade Federal de Goiás sedia no
próximo mês de novembro o Seminário Internacional sobre Formação
Profissional no Campo da Educação Física, no período de 05 a 07, na
cidade de Goiânia. As atividades acontecem no auditório da Faculdade de Educação
Física e Dança (FEFD) da Universidade Federal de Goiás (UFG).
A intenção é promover o debate e a articulação
internacional sobre a formação da Educação Física no Brasil e na América
Latina. Por isso, os painéis apresentam discussões acerca da história do
esporte, da educação física e da dança no contexto latino-americano. Haverá a
participação de estudiosos do Brasil, Bolívia, Argentina, México, Cuba,
Guatemala, Chile, Uruguai e Peru.
Este evento é coordenado pelo Laboratório Physis de
Pesquisa em Educação Física, Sociedade e Natureza (LabPhysis). As
inscrições são gratuitas.
Inscrições e programação:
O esporte é para todos
Por Elaine Tavares
Quando alguém fala a palavra esporte, a primeira ideia que vem à mente é alguém num pódio, recebendo uma medalha. Atletas que dedicam suas vidas ao treinamento exaustivo e que, num determinado campeonato, certame ou olimpíada garantem seu momento de glória. Mas, se a pessoa resolver caminhar pelas ruas da sua cidade, vai perceber que o esporte tem outra dimensão, que é a do movimento do corpo, em brincadeiras e folguedos, por pura diversão. Um campinho com meninos correndo atrás de uma bola, sem delimitações de campo, sem gol. Só a gritaria e o drible, entre risadas. Ou meninas pulando corda, garotos dando cambalhotas, fazendo manobras radicais com suas bicicletas velhas, voando nos skates. Um vôlei na praia, o dependurar-se nas árvores, a correria do pega-pega. Tudo isso é movimento, é esporte.
Quando alguém fala a palavra esporte, a primeira ideia que vem à mente é alguém num pódio, recebendo uma medalha. Atletas que dedicam suas vidas ao treinamento exaustivo e que, num determinado campeonato, certame ou olimpíada garantem seu momento de glória. Mas, se a pessoa resolver caminhar pelas ruas da sua cidade, vai perceber que o esporte tem outra dimensão, que é a do movimento do corpo, em brincadeiras e folguedos, por pura diversão. Um campinho com meninos correndo atrás de uma bola, sem delimitações de campo, sem gol. Só a gritaria e o drible, entre risadas. Ou meninas pulando corda, garotos dando cambalhotas, fazendo manobras radicais com suas bicicletas velhas, voando nos skates. Um vôlei na praia, o dependurar-se nas árvores, a correria do pega-pega. Tudo isso é movimento, é esporte.
Nas grandes cidades esses folguedos estão cada dia mais raros. A vida
nos apartamentos, a maneira como o espaço urbano se organiza, tiram das
crianças as possibilidades do movimento prazeroso. E é por conta disso
que existe a luta cotidiana por parques, jardins e espaços de lazer.
Porque é da natureza do humano esse movimentar-se, por puro gosto. Ainda
assim, para as administrações públicas, o esporte está sempre ligado ao
processo de treinamento e competição. Não é sem razão que as políticas
públicas aplicadas ao esporte preocupam-se mais com as construções de
ginásios e com a preparação e atletas de rendimento. Raros são os
administradores que conseguem ligar o esporte com o lazer e a saúde.
Poucos compreendem que um espaço vazio no meio da cidade pode ser um
lugar de encontro da molecada para diversos folguedos.
Muitas vezes, contratar um profissional de educação física para
coordenar atividades físicas de lazer e brincadeira pode ser muito mais
benéfico e eficaz do que a construção de uma arena multiuso. Não que não
precisem existir espaços para treino e competição, mas isso não pode
ser a única política. A rua é espaço de movimento e nela estão centenas
de milhares de crianças esperando por um incentivo. A maioria não está
pensando em ser um grande atleta, apenas quer brincar. É fato que para
as administrações é muito mais vantajoso qualificar um ou outro campeão,
para que quando ele vença as disputas, carregue o nome da cidade ou do
estado. Mas, enquanto um se destaca, ficam pelos caminhos milhares de
outros, sem qualquer chance de viver sua criancice.
Nesse mês vivemos a iminência de uma eleição presidencial e uma boa
olhada nos programas de governo dos candidatos já nos dão alguma ideia
de como o esporte é tratado. No geral, as propostas ficam no campo do já
existente. Melhorias dos equipamentos públicos, mais incentivo para os
atletas, propostas um tanto vagas de incentivo ao esporte e lazer, sem
dizer como esse incentivo seria dado. Nenhum deles apresenta uma
proposta realmente nova, como a que os profissionais de educação física
vêm construindo desde há anos, de valorização das práticas
multiculturais, com adoção de políticas claras para atividades de
esporte comunitário, que garante participação e diversão para pessoas
que não estão interessadas na lógica mercantil que o esporte hoje
vivencia. Talvez a construção de espaços públicos onde pessoas de outras
idades – não apenas crianças – também possam aprender um jogo, praticar
um esporte, com o necessário acompanhamento de um profissional. Escolas
públicas de esporte, por exemplo, específicas, com qualidade e
gratuitas, capazes de acolher as pessoas com suas habilidades e
limitações, dando-lhes a chance de realizar práticas esportivas sem o
apelo do evento, da indústria ou da competição. Lugares onde podem sim
nascer campeões, mas que também sejam sensíveis aos que simplesmente
querem “balançar o esqueleto”, garantindo assim saúde e vida plena.
O centro de referência de Rio Grande
Hoje, na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, cidade que viu
nascer o primeiro clube de futebol brasileiro em 1900, existe um projeto
que busca essa ideia de esporte como espaço do lúdico, da saúde e da
participação política. É o Centro de Referência Esportiva, que, por
enquanto, trabalha apenas com crianças e adolescentes, utilizando a
metodologia do esporte educacional. O trabalho é realizado em parceria
com a Petrobras, e atua em seis frentes esportivas: futebol, basquete,
vôlei, natação, taekwondo e box. Todos esses esportes são ensinados
gratuitamente a mais de 600 crianças e adolescentes. A proposta básica
é: ensinar as bases técnicas dos esportes, mas sem perder o vínculo com a
alegria e a democratização dos jogos populares. Não é por acaso que a
atividade mais esperada é o Festival. Nele, as crianças e os
adolescentes mostram o que aprenderam, trocam experiências e realizam
brincadeiras junto com os pais, parentes e amigos. O esporte vira
prática comunitária. Não é um evento feito para vender comida, camisas
ou gente. É só a explosão da alegria.
Nesse processo, o compromisso é justamente discutir e praticar novas
propostas teóricas, novas metodologias, balizando o trato da educação
esportiva de jovens - crianças e adolescentes - moradores de comunidades
em situação de empobrecimento econômico e risco social, incorporando
práticas esportivas de cunho educacional, solidário e cooperativo, o que
permite um olhar alternativo sobre o esporte que, acredita-se, possa se
refletir também em todo o processo educacional, seja formal ou não.
Juntar esportes clássicos com práticas populares leva o jovem a
compreender que aquilo que ele traz como cultura e vivência da rua tem
valor. Assim, a cultura popular também aporta significados ao trabalho
sistemático, típico da ciência. É outra maneira de olhar.
O projeto é, em si, um grande desafio, mas todos os educadores
envolvidos estão seguros de que trabalhada de forma respeitosa, essa
parceria entre a técnica e a alegria das ruas, só pode render resultados
positivos. O esporte não é apenas uma forma de manter o físico ou
disputar competições. Pode ser também espaço de construção de novas
práticas que, saídas do movimento corporal, possam se incorporar na vida
mesma, na política, na economia, no modo de organizar a existência.
Quando abstrações como solidariedade, equidade e cooperação começam a
ser vividas na prática, a tendência é uma mudança radical no cotidiano.
E é por isso que o Centro de Referência Esportiva da cidade de Rio
Grande aposta também na formação de professores, atuando em parceria com
educadores da rede pública de mais nove cidades do estado. A proposta é
tornar a prática da educação física nas escolas um espaço real de
inclusão das crianças, para que cada uma possa vivenciar a prática
esportiva dentro das suas limitações e no seu ritmo.
Escolas de esporte
Mas, essas são propostas pontuais, em lugares pontuais, que precisariam
se expandir para todo o país, sem que fosse necessário viver o estresse
de buscar recursos, realizar parcerias privadas, participar de editais e
coisas assim. Isso deveria ser política pública, compromisso
governamental para constituir uma geração de gente saudável, capaz de
viver o esporte como prazer e não como um momento de tortura no colégio.
E tudo isso também precisaria ser acompanhado de perto por profissionais
capacitados, para que as pessoas pudessem praticar os esportes ou as
atividades sem risco. Um exemplo de ação ineficaz é o das “academias”
populares que muitos administradores resolveram colocar pelas cidades. É
um conjunto de equipamentos para a realização de exercícios físicos que
se plantam nos bairros ou nos espaços mais frequentados como parques e
jardins. Ali, as pessoas que não têm condições de pagar uma academia de
ginástica, supostamente podem se exercitar e ficar em forma, como
qualquer cidadão de posses. Digo supostamente porque é uma enganação. Os
equipamentos vêm com algumas dicas de como usá-los, mas cada pessoa é
uma pessoa. Precisaria de um acompanhamento para ver se está fazendo o
movimento correto, usando o peso acertado para sua conformação corporal.
E aí, um profissional de educação física é fundamental. Nesse caso, a
prefeitura deveria também contratar o educador para acompanhar as
práticas comunitárias. Isso sim seria uma bela política pública de
atendimento à população, afinal, o que se exercita – com alegria e nos
seus limites - frequenta menos o posto de saúde. Mas, do jeito como é
feito, o uso inadequado dos equipamentos causa mais problema que
vantagem.
Na verdade, essas são medidas cosméticas, que não estão comprometidas
com as necessidades da população. As práticas esportivas seguem sendo um
divisor de classe. Os que têm dinheiro podem aceder às academias,
professores, técnicas, ginásios, complexos esportivos. Os que não têm
brincam na rua até que são pegos pela roda de moer que é o trabalho e
tudo o que conhecem de esporte é um joguinho de futebol no final de
semana para os homens e as estranhas “academias populares” que provocam
torções e dores, para as mulheres, quando muito.
Por isso insistimos nas escolas públicas de esporte, espaços públicos
onde as pessoas possam vivenciar práticas esportivas de toda ordem, do
basquete à peteca, e que possam abrigar crianças, jovens e velhos na
alegre e divertida prática de jogos e brincadeiras. Assim sendo, podemos
viver num mundo mais sadio. O esporte deve ser uma prática de todos.
Crônicas de um peladeiro
A capacidade do futebol de mover o imaginário de todo brasileiro é quase inquestionável. No entanto, alocado em uma sociedade contraditória, muitas questões estão em jogo no esporte. Em “Crônicas de um Peladeiro”, de forma poética, o escritor Michel Yakini pretende questionar alguns destes contrapontos, além de resgatar as lembranças de jogos épicos e das experiências nos saudosos terrões e campinhos na várzea, onde futebol, além de esporte, é fator de luta social e identidade cultural.
Veja a matéria completa - Brasil de Fato
http://www.brasildefato.com.br/node/29755
Pedagogia do movimento: um caminho para a educação
O professor alemão
Reiner Hildebrandt-Stramann, autor do livro “Textos pedagógicos sobre o ensino
da educação física”, discute nessa
entrevista os pressupostos de uma pedagogia do movimento para ser vivenciada
nas escolas, o que ele chama de "escola móvel". Reflete ainda sobre a
necessidade de um ensino multidisciplinar e de que o estudante seja levado a
investigar os problemas, em vez de reproduzir acriticamente os conteúdos.
Educação Física nas escolas - uma opção política
Por elaine tavares
A sala de aula é um espaço político. Assim, as escolhas do professor por essa ou aquela metodologia de ensino revelam também uma posição sobre o mundo. Isso quer dizer que qualquer cadeira estará submetida ao crivo da política, mesmo a da educação física, que aparentemente, nada teria a ver com o tema. Ora, ao se filiar a um determinado conceito de esporte o professor está igualmente demarcando um território que tanto poderá sustentar o estado de coisas, como poderá alterar de forma indelével a vida dos estudantes.
Reiner Hildebrandt-Stramann, no seu livro “Textos pedagógicos sobre o ensino da educação física” alerta que se o professor enxergar o esporte como um sistema, o caminho que seguirá é o da redução da complexidade. Logo, vai se amarrar às regras, normas e preferências que, de certa forma, tornam o esporte algo homogeneizado. “O sistema do esporte dá uma resposta específica ao problema do movimento humano”, diz. Assim, ao ensinar dentro desse escopo, o professor oferecerá ao aluno uma padronização. E, nesse caso, é o aluno que deve se adequar ao sistema. A lógica é a da comparação e da competição. Vence quem tem melhor preparo dentro das regras determinadas, o que se adapta melhor aos equipamentos pré-determinados, e os que não têm habilidades estão excluídos. É esse conceito que sustenta o esporte de rendimento, por exemplo. Apenas alguns são capazes.
Um exemplo que Reiner dá é o do atletismo. Tudo está determinado: a distância a ser percorrida, o tamanho da pista, as técnicas que o corpo deve seguir para vencer. Todo movimento corporal precisa ser submetido ao que exige a competição. Redução da complexidade, treinamento exaustivo, repetição. Isso já deixa bem claro que há um abismo entre o que seja local de movimento e local de competição. Nas ruas de terra das periferias do país, podem-se ver meninos e meninas pulando, saltando, virando cambalhotas, sem que nenhuma regra limite os movimentos. O esporte, nesse caso, é uma brincadeira, não submetida a regras estáticas, muito menos ao sofrimento dos treinamentos extenuantes. Ali, na rua, o que importa é o movimento, a pirueta, alegria de inventar uma cambalhota mais ousada.
Por isso é uma escolha política quando o professor de educação física decide transportar para as aulas o conceito do esporte como sistema, reduzindo assim as possibilidades de movimento e de inclusão. É escolher a fórmula estática, o ficar como é, a não-mudança. Para Reiner, o compromisso deveria ser outro: a tarefa principal do educador teria de estar ligada ao desenvolvimento da complexidade, a possibilidade do aluno desenvolver uma experiência diversificada de movimentos, para além das regras das competições. É a proposta da mudança, da participação, da invenção.
Nesse sentido, definir o esporte educacional como metodologia de trabalho no campo da educação física implica aliar-se a outro conceito de esporte, que é o de ampliação da complexidade do significado do movimento corporal, uma proposta includente, que prioriza a abertura para alegria e para o encontro entre diferentes. No esporte educacional não está em questão o rendimento, o cumprimento acrítico das regras, e muito menos a separação entre aptos e não aptos, habilidosos e não habilidosos. Há uma visão crítica do ensino do esporte, na qual se sobressai, obviamente, a crítica. Assim, ao mesmo tempo em que são apresentadas as regras fixas dos esportes, o elemento crítico permite que o aluno possa compreender o esporte na sua totalidade e complexidade, capacitando-o para mudá-lo de acordo com seus interesses. Na tarefa crítica está a ampliação do significado do movimento, muito além do ganhar ou perder. É quase como inverter todo o processo do esporte institucionalizado.
Por isso que no ensino da educação física também devem estar presentes os elementos histórico-sociais. Entender onde se está atuando, em qual escola, qual bairro, com que classe social, em que contexto histórico, é fundamental para que o ensino do esporte fique sempre na “tensão normativa da realização pessoal individual e a emancipação social”. Isso significa que a educação ministrada seja capaz de tornar o aluno um ser atuante, não só no desenvolvimento do esporte em si, das suas habilidades pessoais, mas também da sua capacidade de atuar na vida política da escola, do bairro, da cidade, do país.
É o que faz o esporte educacional quando, professores e alunos, juntos, vão construindo criticamente a forma de praticar as atividades físicas. Há uma interação, há espaços e graus de liberdade que permitem ao aluno criar, inventar materiais, regras, processos e apontar novos caminhos. É uma parceria e não uma relação de poder.
Assim, na encruzilhada do ensino, as estradas estão abertas. Mas, há que definir claramente a posição política: cristalizar o já definido, ou abrir-se para o novo. Um desafio cotidiano.
Esporte Educacional receberá verbas da Petrobras
O professor Paulo do Canto Capela, coordenador do Vitral Latino-Americano de Educação Física, Esporte e Saúde, ligado ao IELA, foi convidado pela Petrobras para ser um dos pareceristas do Edital da empresa que selecionará projetos em Esporte Educacional em todo o pais. O edital distribuirá até 45 milhões para entidades que estejam trabalhando com essa metodologia, que foge da lógica do esporte de rendimento. O Esporte Educacional tem como referência a inclusão de crianças e adolescentes no mundo da prática esportiva, sempre levando em consideração as condições e os limites de cada um , permitindo que o esporte seja um prazer e uma alegria, sem a pressão da competição e do rendimento.
O processo de seleção será feito em 10 dias, no Rio de Janeiro, e conta com 1.450 projetos inscritos. Segundo Capela, o investimento da Petrobras no Esporte Educacional supre uma lacuna muito grande que, na verdade, deveria ser preenchida pelo Estado. Mas, hoje, do Ministério dos Esportes, as verbas que saem são massivamente para o esporte de rendimento, o que leva a um empobrecimento do esporte e a exclusão de milhares de crianças. "Para nós, estar entre os pareceristas que avaliarão tantos projetos, de tantos lugares diferentes desse país, nos permitirá ter um diagnóstico real da situação do esporte no Brasil. São essas demandas de pequenos municípios, de projetos sociais, que dão a verdadeira dimensão das necessidades da prática esportiva, includente e democrática. A gente sai dos muros universitários e fica cara a cara com a vida real".
Política esportiva - Carta aberta à presidente Dilma
Por Lino Castellani Filho
Começo esta carta externando meu respeito a Vossa Excelência, presidenta de meu país, e à sua história de vida. Diferentemente do que possa aparentar estas linhas, estarei votando na senhora nas eleições de outubro próximo, repetindo gesto realizado em 2010.
Não! Não estou satisfeito com todas as decisões tomadas pelo seu governo, mas tenho clareza de ser o PT - Partido ao qual sou filiado desde 1988 -, no atual contexto político brasileiro, aquele capaz de continuar desenvolvendo esforços para minimizar as desigualdades sociais que nos assolam desde sempre...
Poderia aqui continuar seguindo nessa direção, detalhando pari passu os inúmeros equívocos cometidos pelo governo presidido pela senhora, mas não é isso que me proponho fazer aqui e sim me deter em apenas uma das políticas sociais que, a meu juízo, deve ser merecedora de sua especial atenção em seu próximo mandato.
Refiro-me à Política Esportiva.
Faço isso no entendimento de não podermos deixar passar a oportunidade da recente Copa do Mundo de Futebol – e o insucesso de nosso selecionado -, de enfrentarmos de frente as mazelas que afetam essa política setorial não de hoje e nem tampouco a partir de 2003 com a chegada de LULA à presidência do país. Quem as atribui ao governo petista ou age de má fé ou é ignorante da história da política esportiva brasileira.
Também não me limitarei ao futebol, mesmo sabendo ser ele para nós muito mais do que uma questão de vida ou morte... Fato é presidenta, que nesses últimos 12 anos se perdeu rica oportunidade de desenvolvimento de política esportiva que fizesse jus ao nome.
Até que o início em 2003 foi alvissareiro... O Plano Pluri Anual de Governo (2004/07) explicitava equilíbrio orçamentário entre os Programas, reservando lugar de relevo aos projetos sociais esportivos. O documento aprovado pelo Conselho Nacional de Esporte em 2005, autodenominado Política Nacional de Esporte, trazia em seu bojo avanços significativos no entendimento do papel do poder público em relação ao Esporte. As duas primeiras Conferências Nacionais de Esporte, respectivamente intituladas Esporte, Lazer e Desenvolvimento Humano (2004) e Construindo o Sistema Nacional de Esporte e Lazer (2006), davam mostras que o verdadeiramente “novo” estava sendo gestado...
Mas tudo não passou de ilusão... O documento da Política Nacional de Esporte, em sua essência, não chegou a sair do papel. Até hoje frequenta a página virtual do Ministério do Esporte, como que avivando nossa lembrança do que ela poderia ter sido...
O Conselho Nacional de Esporte expressou sua subserviência ao se submeter, docilmente, ao lugar de tabelião das decisões ministeriais, carimbando-as quando solicitado.
As Conferências derramaram um balde de água fria na esperança daqueles que acreditaram que de suas deliberações sairiam o norte da política esportiva. Não só as viram ignoradas como também presenciaram sua terceira versão (2010) ir no sentido contrário a tudo o que até então havia sido motivo de construção coletiva, explicitando o total comprometimento do governo com os anseios do setor conservador do campo esportivo... Plano Decenal do Esporte e Lazer: 10 pontos em 10 anos para projetar o Brasil entre os 10 mais, seu tema central, quase único, refletiu acima de tudo a infeliz coincidência de interesses dos defensores da visão liberal de “cidade empresarial” – para os quais os megaeventos (não só) esportivos eram e são um prato cheio – e os interesses da carcomida “elite esportiva”...
Diante desses fatos, Senhora Presidenta, sugiro a extinção do Ministério do Esporte.
Saiba de antemão que não vai ser fácil fazê-lo, porque contra essa medida se juntarão as forças conservadoras (não só) do campo esportivo brasileiro, nele - assim como também em outras esferas de nossa vida pública – hegemônicas. Sim! Também no interior de nosso Partido encontrará resistência...
Não! Não defendo tal medida por conta do acontecido na recente Copa FIFA aqui realizada. Apenas peço, em contrapartida, que não se deixe enganar pela forma festiva e entusiasmada pela qual ela foi recebida e tratada pelos que aqui estiveram, pois esse crédito precisa ser atribuído a quem de direito, nosso povo.
Defendo sua extinção pelo conjunto da obra...
Vou mais além... Defendo a extinção do Ministério do Esporte por vê-lo como desnecessário em um cenário político que vê no Esporte, não a prática social reconhecida como direito social na letra – infelizmente ignorada – de nossa Carta Constitucional, mas sim como produto/mercadoria altamente rentável, com forte impacto em nosso PIB em razão da força de sua cadeia produtiva.
E não só isso, mas também pela ciência de que seu forte apelo popular é permissionário de ações governamentais centradas no conceito de cidades empresariais, acima já mencionado, articulador dos megaeventos como a Copa do Mundo que acabamos de presenciar e com o qual, com as olimpíadas de verão em futuro próximo, continuaremos a nos deparar, abrindo brechas para fazer de nosso aparato legal de ordenamento da vida nas cidades, tal qual o Estatuto da Cidade se caracteriza, exceção à regra.
Nesse sentido, proponho que a senhora desloque tal política para o, digamos... Ministério dos “Grandes Negócios”. Tenho esperança que assim procedendo, as entidades de administração e prática esportivas deixarão, pelo menos, de ser aquilo em certo momento chamado de “feudos esportivos” voltados à “pequena” política. Já a esperança de que o interesse público prevaleça sobre o privado, dentro da lógica enunciada, não a tenho...
Em relação aos Programas Orçamentários de natureza social, materializados nos comumentemente chamados projetos sociais esportivos, sugiro que os coloque sob a responsabilidade do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Sim, porque penso que se faz necessário acrescentar à cesta do Programa Bolsa Família produtos que venha alimentar a formação humana dos brasileiros, ampliando e qualificando o conceito de inclusão social hoje presente. Afinal os Titãs já cantavam “que a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”...
Nesse particular, estava propenso a sugerir que os recursos do Ministério do Esporte alocados nos seus projetos sociais esportivos fossem canalizados para o de sua “nova casa”, mas ao me lembrar do volume orçamentário a eles destinados ao longo desses anos, entendi por bem me calar por tão irrisórios, insignificantes e desrespeitosos que foram e são.
Resta falar do chamado Esporte Educacional, aquele presente nas instituições de educação brasileiras. Desculpe-me a obviedade do que aqui defendo, mas entendo que deva caber a elas, instituições de educação básica e superior, estabelecerem políticas definidoras de como o Esporte - seja na ótica do conhecimento, na de rendimento/performance ou na perspectiva de fruição no tempo livre de trabalho -, deva compartilhar de seus objetivos institucionais. Com esse proceder, minimizaríamos o risco de ver a presença do Esporte nessas instituições submetida aos objetivos da instituição esportiva e não aos delas, configurativo do quadro exaustivamente denunciado do Esporte Na Escola e não do almejado Esporte Da Escola.
Ao me despedir, sei que a Senhora ficaria satisfeita se os problemas que terá que continuar a enfrentar se limitassem ao terreno aqui enunciado. Sei da envergadura dos desafios que enfrenta e continuará enfrentando na condição de presidenta do Brasil. Peço apenas que não descure destes aqui relatado.
Respeitosamente
Lino Castellani Filho
Brasileiro
O esporte libertador e biocêntrico
Entrevista com o professor de Educação Física (CDS/UFSC), Paulo Ricardo do Canto Capela, sobre a concepção do Esporte Educacional.
O futebol como pedagogia
Experiência do Centro de Referência Esportiva Rio Grande
Já que o país viveu uma polêmica Copa do Mundo, o Centro de Referência Esportiva Rio Grande decidiu fazer um evento que pudesse trabalhar a prática do futebol e, ao mesmo tempo, discutir esse tipo de competição. Assim, no dia 19 de julho, nas dependências do Complexo Esportivo Dênis Willain Lawson, o projeto realizou a "Copa do Mundo", do CRE.
A participação foi massiva. Mais de 87 alunos compareceram dispostos à brincadeira.
Ao chegarem, os alunos foram divididos em 8 seleções (4 seleções com alunos entre 7 e 12 anos, e 4 seleções com alunos entre 13 e 17 anos). A partir daí foram realizadas as partidas de futebol, com os alunos atuando em diversas funções/profissões deste meio como, por exemplo, jogadores, técnicos, árbitros, fotógrafos, comentaristas, gandulas, torcedores e apresentadores do evento.
Antes de cada partida, enquanto as equipes entravam em campo e seus técnicos passavam as últimas orientações, o apresentador do evento anunciava as equipes relatando informações/curiosidades das mesmas embasado em pesquisas elaboradas pelos próprios alunos dias antes da competição.
Cada participante tinha sua função, ora dentro do campo de forma direta, ora fora, desmistificando a ideia de que futebol só pode ser vivenciado dentro das quatro linhas. Na prática, a proposta era vivenciar a alegria e a arte desse esporte que é uma paixão nacional.
Ao final da tarde, após diversas partidas, a equipe da Argentina ( com alunos de 7 a 12 anos) e a seleção do Uruguai (3 a 17 anos) receberam medalhas pelo título em cada categoria. Os demais alunos representando as equipes do Brasil, Alemanha, Holanda, Chile, Espanha e México também receberam medalhas pela participação. Ali, o importante não era vencer, mas compreender como se organiza um certame .
As divertidas e educativas atividades foram coordenadas pelo professor Peterson Dourado, o estagiário Alexandre Degani, com a participação de outros professores do Centro.
Os megaeventos esportivos: uma discussão crítica
Por elaine tavares - jornalista
O Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA), da Universidade Federal de Santa Catarina, lança o livro "Megaeventos esportivos: suas consequências, impactos e legados para a América Latina", organizado pelo professor Paulo Capela e a jornalista Elaine Tavares. O trabalho, que reúne as conferências realizadas durante a Nona Edição das Jornadas Bolivarianas, evento anual do Instituto, é uma reflexão profunda sobre a política e a lógica dos megaeventos que começaram a se consolidar nos anos 80, tornando o esporte uma mercadoria bastante valiosa no processo de acumulação capitalista. A leitura é indicada para todas as pessoas que procuram ver além do senso comum incensado pela mídia, de que os eventos são promotores de progresso e riqueza. Em certa medida, essa assertiva é uma meia verdade, porque, afinal, os megaeventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, geram muita riqueza, mas é para um pequeno e seleto grupo de empresários, no comando das multinacionais.
Os debates sobre os megaeventos, realizados em abril de 2013, procuraram abordar os mais variados aspectos do tema, não apenas o jogo em si ou a prática do esporte. No texto de abertura, o professor da UNOESC, Nilso Ouriques, recupera historicamente todo o processo de construção dessa lógica do esporte como empresa, que tem sua guinada para o que hoje conhecemos como megaeventos a partir do conhecido acordo realizado entre a FIFA, recém assumida pelo brasileiro João Havelange, e a empresa Adidas, em 1974. Desde aí, as marcas comerciais passaram a ser associadas visceralmente aos clubes e aos atletas, a tal ponto de, em alguns casos, serem as empresas patrocinadoras as que dirigem o trabalho conforme seus interesses. Nilso ainda mostra como o estado vai sendo sequestrado por essa prática e acaba cedendo também às armadilhas do capital, principalmente aqueles que estão na periferia do sistema capitalista.
O professor Fernando Mascarenhas escreve sobre como foi construída a agenda do Bloco Olímpico para os jogos no Brasil em 2016, a participação do estado brasileiro e a decisiva intrusão do mercado no processo, o que tem ocasionado toda a sorte de mobilizações e lutas, principalmente no Rio de Janeiro. Segundo ele, houve uma aliança entre o governo e a grande burguesia nacional para o fortalecimento do capital privado local, além de o estabelecimento de uma subordinação às entidades proprietárias dos jogos. E, por conta disso, houve um completo distanciamento entre estado e as demandas populares.
O médico equatoriano Jaime Breilh mostra, de maneira cabal, a cara visível e contraditória do caráter predador do esporte negócio, com implicações cruciais sobre a saúde dos atletas. Segundo ele, a sociedade de mercado substituiu a lógica da vida por uma proposta mercantil, agressiva, ligada a acumulação de riqueza para alguns. O esporte deixa então de ser um valor de uso da humanidade para se transformar num valor de troca para os negócios de grandes empresários. Ele mostra ainda como essa lógica se expressa na América do Sul, bem como o rastro de destruição que ela deixa. Dentro do que chama "epidemiologia crítica do esporte", ele argumenta que a prática da atividade física deveria estar voltada para a saúde coletiva e não para acumulação privada de riqueza. Breilh ainda estabelece elementos para pensar uma agenda estratégica que mude o rumo dessa política.
Marcelo Proni, da Unicamp, mostra que a literatura internacional sobre os megaeventos esportivos não comprova que eles sejam propulsores de desenvolvimento econômico para as regiões onde acontecem. Pelo contrário. No geral, esse tipo de evento reforça a dominação política e subordinação econômica típicas do capitalismo contemporâneo. Ele também mostra como esses eventos vão sendo usados para legitimar os gastos públicos que acabam beneficiando poucos empresários e explica por que a FIFA e o COI fazem tantas exigências. É um texto para desvelar as verdades que a mídia comercial omite.
O sul-africano Eddie Cottle, autor do livro "Copa do Mundo na África do Sul: um legado para quem", explica, em parceria com Maurício Rombaldi, quais foram as lições da Copa realizada no seu país. Segundo ele, o evento impactou de maneira total as cidades, concentrando despesas de capital e trabalho, mudando a fisionomia dos lugares e mexendo com a vida das populações. Tudo isso para, em curto prazo, sair de cena, deixando um cenário de abandono e destruição. A experiência dos trabalhadores da construção civil na África do Sul é contada, mostrando que, mesmo diante de toda a força do capital, os trabalhadores organizados ainda conseguiram avançar nas suas demandas. Uma leitura imperdível para aqueles que insistem em dizer que os que criticam a realização dos megaeventos no Brasil são contra a festa ou a alegria dos povos. A experiência da África do Sul reverbera e ensina.
Renato Cosentino, do Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro, traz a face perversa e escondida dos megaeventos, explicitando todo o terror que centenas de famílias vivem no Rio de Janeiro, por conta das desocupações forçadas. Ele mostra ainda como o estado do Rio procurou invisibilizar a pobreza em nível internacional ao mesmo tempo em que colocava a capital à venda. Ele revela como se deu o consenso olímpico a partir de uma promessa otimista que procurou envolver toda a nação, embora os lucros sejam apenas para alguns. Cosentino ainda mostra toda a luta que está sendo travada pelas populações atingidas pelas obras da Copa no que diz respeito ao direito à cidade. Uma luta que é ridicularizada, mas que na crueza da sua realidade, precisa se fazer como um imperativo de sobrevivência.
O jornalista mexicano Maurício Mejía conta a experiência do México com os dois eventos - Copa e Olimpíadas - os quais já sediou. Segundo ele, todas as promessas contidas nas propostas de desenvolvimento não se cumpriram e além de tudo, o esporte no país nunca conseguiu ascender a um patamar em que as populações o assumissem como lazer ou saúde. No México, a população cada dia menos faz esporte, apesar de consumir esporte via televisão. Os eventos serviram para fortalecer governos, para jogos políticos e para o enriquecimento de algumas famílias. Tudo muito pontual.
O professor uruguaio Raumar Giménez comenta que os megaeventos tem sido uma boa ocasião para refinar discursos acadêmicos, mas com poucos efeitos sobre a vida política. Servem para sustentar discursos como cidadania e participação popular, mas acabam não tendo qualquer impacto sobre políticas públicas que visem uma melhoria na qualidade esportiva das gentes. Os eventos são apenas shows, espetacularizados pelos meios de comunicação.
O jornalista Juca Kfouri traz os bastidores do mundo do esporte, as histórias que estão por trás dos discursos, a orgia de gastos na construção dos novos estádios e a mercantilização cada vez maior do futebol. Com sua conhecida ironia, Kfouri produz uma fina crítica sobre todo o processo de construção dos megaeventos no Brasil e o papel da FIFA e do COI, embora não rechace a lógica do esporte como mercadoria. Por conta disso, ele reivindica a necessidade de uma nova classe dirigente para o esporte brasileiro, mais adequada para pensar o esporte como negócio na indústria do entretenimento. Ele crê que a globalização está aí e não se pode lutar contra ela, embora possa se produzir um choque de gestão que eleve o esporte brasileiro.
Danuza Meneghello e Fábio Pinto discutem a resistência cultural necessária no cenário esportivo brasileiro e citam como exemplo o jogo da capoeira. Uma proposta que se contrapõe totalmente ao modelo de competição e rendimento do esporte-negócio. Defendem a prática de um esporte enraizado na vida real, capaz de integrar e incluir todas as pessoas, afinal, a prática esportiva precisa ser prazer e brincadeira, bem distante, portanto, do mundo dos negócios.
Nildo Ouriques discute os megaeventos no âmbito da economia e da política, mostrando o que acontece quando a alegria vira mercadoria. Ele ainda mostra a diferença entre o que seja o orgulho burguês nacional (no geral, incentivado pela mídia) e o nacionalismo revolucionário, que procura pensar o nacional dentro de outra ótica. Também aponta a triste condição colonial que aparece em eventos como esses, concretizada em coisas como a Lei da Copa, por exemplo, com a qual o país se ajoelha diante dos interesses multinacionais. Também busca no conceito de mais-valia ideológica, de Ludovico Silva, refletir sobre como os meios de comunicação se prestam a ideologia capitalista e mostra como não é possível analisar o esporte fora das relações capitalistas.
O livro encerra com o texto de Eddie Cottle, Paulo Capela e André Meirinho, já com uma pesquisa referente aos cartéis da construção civil que estiveram envolvidos na construção dos estádios novos e nas reformas. Uma importante contribuição que mostra, com números e casos reais, aquilo que no campo da teoria foi discutido durante as jornadas.
Assim, o livro se coloca como uma colcha, que, a partir dos mais variados desenhos, vai se fazendo e mostrando uma importante unidade de análise. O pensamento crítico que pode subsidiar a compreensão do fenômeno dos megaeventos e suas consequências para a vida nacional. Muitas dessas consequências já se fizeram visíveis nos despejos, na destruição de comunidades inteiras, na mortes de operários, na descaracterização das cidades. Mas, outras tantas ainda estão por vir, depois que passar toda a festa.
Resta a quem procura ler o mundo com clareza ter lentes claras para ver e não se juntar ao otimismo cego. Se algumas coisas boas podem vir dos megaeventos, não dá para esconder a cabeça no buraco e negar os desastrosos legados que também virão.
O livro pode ser encomendado ao Iela, ao preço de 20 reais, pelo correio eletrônico:iela@contato.ufsc.br
O livro pode ser encomendado ao Iela, ao preço de 20 reais, pelo correio eletrônico:iela@contato.ufsc.br
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