O futebol como pedagogia
Experiência do Centro de Referência Esportiva Rio Grande
Já que o país viveu uma polêmica Copa do Mundo, o Centro de Referência Esportiva Rio Grande decidiu fazer um evento que pudesse trabalhar a prática do futebol e, ao mesmo tempo, discutir esse tipo de competição. Assim, no dia 19 de julho, nas dependências do Complexo Esportivo Dênis Willain Lawson, o projeto realizou a "Copa do Mundo", do CRE.
A participação foi massiva. Mais de 87 alunos compareceram dispostos à brincadeira.
Ao chegarem, os alunos foram divididos em 8 seleções (4 seleções com alunos entre 7 e 12 anos, e 4 seleções com alunos entre 13 e 17 anos). A partir daí foram realizadas as partidas de futebol, com os alunos atuando em diversas funções/profissões deste meio como, por exemplo, jogadores, técnicos, árbitros, fotógrafos, comentaristas, gandulas, torcedores e apresentadores do evento.
Antes de cada partida, enquanto as equipes entravam em campo e seus técnicos passavam as últimas orientações, o apresentador do evento anunciava as equipes relatando informações/curiosidades das mesmas embasado em pesquisas elaboradas pelos próprios alunos dias antes da competição.
Cada participante tinha sua função, ora dentro do campo de forma direta, ora fora, desmistificando a ideia de que futebol só pode ser vivenciado dentro das quatro linhas. Na prática, a proposta era vivenciar a alegria e a arte desse esporte que é uma paixão nacional.
Ao final da tarde, após diversas partidas, a equipe da Argentina ( com alunos de 7 a 12 anos) e a seleção do Uruguai (3 a 17 anos) receberam medalhas pelo título em cada categoria. Os demais alunos representando as equipes do Brasil, Alemanha, Holanda, Chile, Espanha e México também receberam medalhas pela participação. Ali, o importante não era vencer, mas compreender como se organiza um certame .
As divertidas e educativas atividades foram coordenadas pelo professor Peterson Dourado, o estagiário Alexandre Degani, com a participação de outros professores do Centro.
Os megaeventos esportivos: uma discussão crítica
Por elaine tavares - jornalista
O Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA), da Universidade Federal de Santa Catarina, lança o livro "Megaeventos esportivos: suas consequências, impactos e legados para a América Latina", organizado pelo professor Paulo Capela e a jornalista Elaine Tavares. O trabalho, que reúne as conferências realizadas durante a Nona Edição das Jornadas Bolivarianas, evento anual do Instituto, é uma reflexão profunda sobre a política e a lógica dos megaeventos que começaram a se consolidar nos anos 80, tornando o esporte uma mercadoria bastante valiosa no processo de acumulação capitalista. A leitura é indicada para todas as pessoas que procuram ver além do senso comum incensado pela mídia, de que os eventos são promotores de progresso e riqueza. Em certa medida, essa assertiva é uma meia verdade, porque, afinal, os megaeventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, geram muita riqueza, mas é para um pequeno e seleto grupo de empresários, no comando das multinacionais.
Os debates sobre os megaeventos, realizados em abril de 2013, procuraram abordar os mais variados aspectos do tema, não apenas o jogo em si ou a prática do esporte. No texto de abertura, o professor da UNOESC, Nilso Ouriques, recupera historicamente todo o processo de construção dessa lógica do esporte como empresa, que tem sua guinada para o que hoje conhecemos como megaeventos a partir do conhecido acordo realizado entre a FIFA, recém assumida pelo brasileiro João Havelange, e a empresa Adidas, em 1974. Desde aí, as marcas comerciais passaram a ser associadas visceralmente aos clubes e aos atletas, a tal ponto de, em alguns casos, serem as empresas patrocinadoras as que dirigem o trabalho conforme seus interesses. Nilso ainda mostra como o estado vai sendo sequestrado por essa prática e acaba cedendo também às armadilhas do capital, principalmente aqueles que estão na periferia do sistema capitalista.
O professor Fernando Mascarenhas escreve sobre como foi construída a agenda do Bloco Olímpico para os jogos no Brasil em 2016, a participação do estado brasileiro e a decisiva intrusão do mercado no processo, o que tem ocasionado toda a sorte de mobilizações e lutas, principalmente no Rio de Janeiro. Segundo ele, houve uma aliança entre o governo e a grande burguesia nacional para o fortalecimento do capital privado local, além de o estabelecimento de uma subordinação às entidades proprietárias dos jogos. E, por conta disso, houve um completo distanciamento entre estado e as demandas populares.
O médico equatoriano Jaime Breilh mostra, de maneira cabal, a cara visível e contraditória do caráter predador do esporte negócio, com implicações cruciais sobre a saúde dos atletas. Segundo ele, a sociedade de mercado substituiu a lógica da vida por uma proposta mercantil, agressiva, ligada a acumulação de riqueza para alguns. O esporte deixa então de ser um valor de uso da humanidade para se transformar num valor de troca para os negócios de grandes empresários. Ele mostra ainda como essa lógica se expressa na América do Sul, bem como o rastro de destruição que ela deixa. Dentro do que chama "epidemiologia crítica do esporte", ele argumenta que a prática da atividade física deveria estar voltada para a saúde coletiva e não para acumulação privada de riqueza. Breilh ainda estabelece elementos para pensar uma agenda estratégica que mude o rumo dessa política.
Marcelo Proni, da Unicamp, mostra que a literatura internacional sobre os megaeventos esportivos não comprova que eles sejam propulsores de desenvolvimento econômico para as regiões onde acontecem. Pelo contrário. No geral, esse tipo de evento reforça a dominação política e subordinação econômica típicas do capitalismo contemporâneo. Ele também mostra como esses eventos vão sendo usados para legitimar os gastos públicos que acabam beneficiando poucos empresários e explica por que a FIFA e o COI fazem tantas exigências. É um texto para desvelar as verdades que a mídia comercial omite.
O sul-africano Eddie Cottle, autor do livro "Copa do Mundo na África do Sul: um legado para quem", explica, em parceria com Maurício Rombaldi, quais foram as lições da Copa realizada no seu país. Segundo ele, o evento impactou de maneira total as cidades, concentrando despesas de capital e trabalho, mudando a fisionomia dos lugares e mexendo com a vida das populações. Tudo isso para, em curto prazo, sair de cena, deixando um cenário de abandono e destruição. A experiência dos trabalhadores da construção civil na África do Sul é contada, mostrando que, mesmo diante de toda a força do capital, os trabalhadores organizados ainda conseguiram avançar nas suas demandas. Uma leitura imperdível para aqueles que insistem em dizer que os que criticam a realização dos megaeventos no Brasil são contra a festa ou a alegria dos povos. A experiência da África do Sul reverbera e ensina.
Renato Cosentino, do Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro, traz a face perversa e escondida dos megaeventos, explicitando todo o terror que centenas de famílias vivem no Rio de Janeiro, por conta das desocupações forçadas. Ele mostra ainda como o estado do Rio procurou invisibilizar a pobreza em nível internacional ao mesmo tempo em que colocava a capital à venda. Ele revela como se deu o consenso olímpico a partir de uma promessa otimista que procurou envolver toda a nação, embora os lucros sejam apenas para alguns. Cosentino ainda mostra toda a luta que está sendo travada pelas populações atingidas pelas obras da Copa no que diz respeito ao direito à cidade. Uma luta que é ridicularizada, mas que na crueza da sua realidade, precisa se fazer como um imperativo de sobrevivência.
O jornalista mexicano Maurício Mejía conta a experiência do México com os dois eventos - Copa e Olimpíadas - os quais já sediou. Segundo ele, todas as promessas contidas nas propostas de desenvolvimento não se cumpriram e além de tudo, o esporte no país nunca conseguiu ascender a um patamar em que as populações o assumissem como lazer ou saúde. No México, a população cada dia menos faz esporte, apesar de consumir esporte via televisão. Os eventos serviram para fortalecer governos, para jogos políticos e para o enriquecimento de algumas famílias. Tudo muito pontual.
O professor uruguaio Raumar Giménez comenta que os megaeventos tem sido uma boa ocasião para refinar discursos acadêmicos, mas com poucos efeitos sobre a vida política. Servem para sustentar discursos como cidadania e participação popular, mas acabam não tendo qualquer impacto sobre políticas públicas que visem uma melhoria na qualidade esportiva das gentes. Os eventos são apenas shows, espetacularizados pelos meios de comunicação.
O jornalista Juca Kfouri traz os bastidores do mundo do esporte, as histórias que estão por trás dos discursos, a orgia de gastos na construção dos novos estádios e a mercantilização cada vez maior do futebol. Com sua conhecida ironia, Kfouri produz uma fina crítica sobre todo o processo de construção dos megaeventos no Brasil e o papel da FIFA e do COI, embora não rechace a lógica do esporte como mercadoria. Por conta disso, ele reivindica a necessidade de uma nova classe dirigente para o esporte brasileiro, mais adequada para pensar o esporte como negócio na indústria do entretenimento. Ele crê que a globalização está aí e não se pode lutar contra ela, embora possa se produzir um choque de gestão que eleve o esporte brasileiro.
Danuza Meneghello e Fábio Pinto discutem a resistência cultural necessária no cenário esportivo brasileiro e citam como exemplo o jogo da capoeira. Uma proposta que se contrapõe totalmente ao modelo de competição e rendimento do esporte-negócio. Defendem a prática de um esporte enraizado na vida real, capaz de integrar e incluir todas as pessoas, afinal, a prática esportiva precisa ser prazer e brincadeira, bem distante, portanto, do mundo dos negócios.
Nildo Ouriques discute os megaeventos no âmbito da economia e da política, mostrando o que acontece quando a alegria vira mercadoria. Ele ainda mostra a diferença entre o que seja o orgulho burguês nacional (no geral, incentivado pela mídia) e o nacionalismo revolucionário, que procura pensar o nacional dentro de outra ótica. Também aponta a triste condição colonial que aparece em eventos como esses, concretizada em coisas como a Lei da Copa, por exemplo, com a qual o país se ajoelha diante dos interesses multinacionais. Também busca no conceito de mais-valia ideológica, de Ludovico Silva, refletir sobre como os meios de comunicação se prestam a ideologia capitalista e mostra como não é possível analisar o esporte fora das relações capitalistas.
O livro encerra com o texto de Eddie Cottle, Paulo Capela e André Meirinho, já com uma pesquisa referente aos cartéis da construção civil que estiveram envolvidos na construção dos estádios novos e nas reformas. Uma importante contribuição que mostra, com números e casos reais, aquilo que no campo da teoria foi discutido durante as jornadas.
Assim, o livro se coloca como uma colcha, que, a partir dos mais variados desenhos, vai se fazendo e mostrando uma importante unidade de análise. O pensamento crítico que pode subsidiar a compreensão do fenômeno dos megaeventos e suas consequências para a vida nacional. Muitas dessas consequências já se fizeram visíveis nos despejos, na destruição de comunidades inteiras, na mortes de operários, na descaracterização das cidades. Mas, outras tantas ainda estão por vir, depois que passar toda a festa.
Resta a quem procura ler o mundo com clareza ter lentes claras para ver e não se juntar ao otimismo cego. Se algumas coisas boas podem vir dos megaeventos, não dá para esconder a cabeça no buraco e negar os desastrosos legados que também virão.
O livro pode ser encomendado ao Iela, ao preço de 20 reais, pelo correio eletrônico:iela@contato.ufsc.br
O livro pode ser encomendado ao Iela, ao preço de 20 reais, pelo correio eletrônico:iela@contato.ufsc.br
Copa do Mundo na África do Sul; Um legado para quem?
Por elaine tavares
O Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA), da Universidade Federal de Santa Catarina, através do esforço do professor Paulo Capela, coordenador do Vitral Latino-Americano de Educação Física, Esporte e Saúde, traduziu para o português a obra organizada pelo sul-africano Eddie Cottle, sobre a Copa do Mundo na África do Sul, em 2010. O resultado é um mosaico de estudos que mostra claramente quais foram os legados desse megaevento, que muito mais se apresentaram positivos para a FIFA do que para o país. Para se ter uma ideia, a Federação Internacional que comanda o espetáculo teve um lucro líquido de 3,4 bilhões de dólares, livre de qualquer imposto. Já a África do Sul , que estimava gastar 2,3 bilhões de rands (moeda local), acabou arcando com 39 bilhões de rands, um aumento de 1.700% entre o que se estimava e o que se gastou de fato.
O trabalho coordenado por Eddie Cottle é uma vertiginosa teia de informações que assombra e emudece, até porque o Brasil passou pelo mesmo momento. Ao longo dos textos, nos quais os estudiosos contam como se construiu a ideia de realizar na África do Sul um evento dessa magnitude, vai se percebendo que os argumentos usados para aprovação dos gastos são exatamente os mesmos usados no Brasil. O impacto aparece no rastro de destruição que foi deixado e a completa indiferença por parte da FIFA e de seus parceiros – multinacionais como Adidas, Sony e Mc Donalds – com o que deixaram para trás.
O futebol, que nasceu aristocrata, mas, em pouco tempo se transformou num importante esporte popular foi apropriado e transformado em uma mercadoria cada mais distante da classe trabalhadora. Com ele, a FIFA tem garantido gordas parcelas de lucro de um grupo muito pequeno de “dirigentes” e, com a realização da Copa nos países subdesenvolvidos, tem conseguido acumular ainda mais, sempre às custas da vida de milhões. Um insensatez, se considerarmos que o futebol, quando chegou à América Latina, por exemplo, era usado como uma metáfora de revolução. Conforme conta Dale McKinley, no texto “FIFA e o complexo desportivo de acumulação”, os anarquistas e socialista argentinos, que trouxeram o esporte para aquele país, afirmavam que o futebol era “um jogo socialista... todos jogavam juntos com o objetivo de chegar à linha de meta, este era o triunfo, esta é a revolução”...
Mas, com a FIFA, que mergulhou de cabeça na lógica do esporte mercadoria durante a gestão de João Havelange, a única “revolução” que aconteceu foi a do gigantesco movimento de lucro que segue sendo canalizado para poucas contas em bancos amigos.
No caso da África do Sul, a mesma cantilena da possibilidade de desenvolvimento, progresso e pleno emprego, foi usada para convencer a população de que aquilo que seria o ganho estrondoso de alguns era também vantajoso para o país. Não foi. Os números apresentados pelo estudo coordenado por Eddie Cottle dão conta de que não houve crescimento de empregos, pelo contrário, houve mais exploração dos já empregados e uma leve alteração nos empregos temporários que se extinguiram subitamente tão logo o evento acabou. O mesmo pode ser dito dos trabalhadores da construção civil que ficaram ocupados por algum tempo antes da Copa, construindo os imensos e inúteis estádios, ficando a deriva tão logo tudo terminou.
Ao pais, sobrou apenas as contas para pagar. De todos os estádios construídos (em número de oito, cinco são elefantes brancos, sem uso). Um deles, o Nelson Mandela Bay Stadium custa ao cofres públicos 65 milhões de rands por ano, apenas para se manter de pé, já que é pouco utilizado. Um dinheiro que poderia estar na saúde ou na educação, ou livrando as cidades da odiosa presença dos esgotos a céu aberto.
O livro desvela todos os segredos da montagem do espetáculo, as armadilhas econômicas, a luta dos trabalhadores, a terrível face da violência desencadeada contra os pobres que foram despejados e desalojados para dar lugar aos estádios ou a avenidas. Mostra a exclusão completa dos pobres da festa da Copa, com o impedimento dos trabalhadores informais em ganhar o seu dinheiro, sendo obrigados a ficaram longo dos estádios. Mostra como a mentira e a deturpação foram utilizadas para enganar toda uma nação, desvenda as entranhas da FIFA, escancara os lucros exorbitantes que as empresas amigas da FIFA tiveram, os contratos leoninos que jogaram as contas todas na mesa do povo sul-africano.
Mas, o trabalho de Eddie Cottle também coloca no foco a luta dos trabalhadores da construção civil, que marcaram um ponto na batalha por melhores condições de vida, que conseguiram reconstituir uma solidariedade trabalhista internacional que há muito andava rota. Fala da batalha das gentes trabalhadoras das periferias das cidades que, ainda que à sombra da cidade mundial – representada pelo capital - travaram o combate e colocaram no centro do debate as entranhas da farsa.
“Copa do Mundo na África do Sul: um legado para quem?” é uma leitura amarga, mas necessária. Porque não é um panfleto desesperado, visando convencer quem não se interessa pelo tema. É um estudo profundo da maquinaria futebolística montada pela FIFA o retrato sem retoques de uma festa que, ainda que traga alegria e prazer, dura apenas 30 dias, enquanto seus efeitos perduram por décadas, sob as costas da maioria.
Copa do Mundo da África do Sul – um legado para quem?
Autor: Eddie Cottle
Editora Insular - 2014
Na marca do pênalti
As Jornadas Bolivarianas de 2013 terão como tema os megaeventos
esportivos, vistos nos seus variados aspectos: econômico, político, de
mobilização popular, cultural, saúde, organização urbana. A proposta
deste seminário internacional, que acontece na Universidade Federal de
Santa Catarina (UFSC) há nove edições, é de fazer um debate crítico,
saindo do lugar comum que se vê na mídia comercial, de ufanismos e
maravilhas. Eventos desta natureza, muito mais do que propiciar lazer e
divertimento tornaram-se espaços de acumulação do capital. Com eles,
muito poucos têm grandes lucros e a maioria das populações dos lugares
onde acontecem acabam tendo apenas ganhos periféricos, quando não vivem
processos violentos de remoção.
Para compreender de forma crítica este atualíssimo modo de acumulação
capitalista, o Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA/UFSC) traz a
Florianópolis, de 9 a 12 de abril, renomados estudiosos e líderes
populares de vários países. A abertura, no dia 9 de abril, contará com a
presença do equatoriano Jaime Breilh, da Universidad Andina Simón
Bolívar. Jaime é médico e um dos fundadores do movimento
latino-americano da nova saúde pública, sendo o foco do seu trabalho a
discussão da saúde esportiva como negócio e prática destrutiva. Segundo
ele, a lógica dos megaeventos desfaz de maneira cabal a ideia do esporte
como sinônimo de saúde.
Outra presença significativa é a do cubano Antonio Becali Garrido,
reitor da Universidad de Ciencias de la Cultura Física y el Deporte, que
trará para o debate a concepção cubana de esporte e sua posição diante
dos megaeventos. Participa também o professor Fernando Mascarenhas, da
Universidade de Brasília, com larga trajetória na discussão do esporte
brasileiro, tendo sido membro do Conselho Nacional do Esporte e
presidente do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte.
Raumar Rodrigues Gimenez, professor da Universidad Nacional de Uruguai,
traz a reflexão do esporte como espaço de cultura e analisa os efeitos
dos megaeventos nesta perspectiva. Marcelo Weishaupt Proni, professor da
Unicamp, atua na área da economia do esporte, tendo forte atuação na
crítica do futebol-empresa e dos impactos que megaeventos esportivos
geram nas economias locais. Nilso Ouriques, professor da Unoesc, que
recentemente lançou um retrato do esporte catarinense com o livro "A
miséria do esporte", faz a discussão da acumulação do capital gerada por
megaeventos esportivos.
No campo da mídia, as jornadas contarão com a presença de dois
jornalistas de visão crítica. Um deles é o brasileiro Juca Kfouri, da
ESPN, conhecido por sua seriedade, coragem e profissionalismo. Um ícone
do pensamento crítico no mundo esportivo. O outro é o jornalista
mexicano Maurício Mejía, também bastante conhecido no México por sua
visão diferenciada no debate esportivo, saindo do senso comum, típico da
mídia comercial.
Outro estudioso que fará sua conferência nas Jornadas é o sul-africano
Eddie Cottle, que lançou há pouco tempo um denso trabalho sobre a Copa
do Mundo realizada no seu país. Olhando o evento desde o campo popular e
na perspectiva dos trabalhadores, Eddie poderá mostrar como a África do
Sul foi afetada e quais os impactos deixados na população.
Já o representante do debate popular no Brasil será Renato Cosentino
Vianna Guimarães , do Comitê Popular Rio Copa Olimpíadas, entidade que
vem travando batalhas importantes pelo direito ao esporte e à vida,
principalmente no que diz respeito aos despejos e à privatização do
Maracanã. Paulo Ricardo do Canto Capela, presidente do Iela e professor
do Centro de Esportes da UFSC, encerra o evento, discutindo a
necessidade de o esporte sair da órbita do negócio e se encarnar no
mundo da vida.
As atividades das Jornadas Bolivarianas – 9ª. edição - começam numa
terça-feira, 9 de abril de 2013, a partir das 18h30min. Veja maracanã
a programação completa:
IX Jornadas Bolivarianas
MEGAEVENTOS ESPORTIVOS - SEUS IMPACTOS, CONSEQUÊNCIAS E LEGADOS PARA O
CONTINENTE LATINO-AMERICANO
9 de abril de 2013
- Noite – Auditório da Reitoria – UFSC
18h30 – Abertura oficial das IX Jornadas Bolivarianas
19h – Conferência de abertura: Os Megaeventos Esportivos: Impactos,
Consequências e Legados para o Continente Latino-Americano
Conferencista: Jaime Breilh/ Equador - Doutor e Diretor da Área de Saúde
da Universidad Andina Simón Bolivar. Coordenador do Global Health para a
América
10 de abril de 2013
- Manhã – Auditório da Reitoria - UFSC
9h – Conferência: O Estado, os Movimentos Sociais, as Políticas Públicas
de Esporte e Lazer e os Direitos Sociais frente aos Megaeventos
Esportivos
Antonio Becali Garrido, Reitor da Universidad de Ciencias de la Cultura
Física y el Deporte - Cuba
Fernando Mascarenhas UNB, Brasília, Brasil
- Tarde – UFSC e Hall da Reitoria
14h30 – 18h – Apresentação de Trabalhos
- Noite - Auditório da Reitoria
18h30 - Conferência: A Mídia, o Jornalismo Esportivo e a Cobertura dos
Megaeventos Esportivos
Juca Kfouri - São Paulo
Maurício Mejía - México
11 de abril de 2013
- Manhã – Auditório da Reitoria
9h – Conferência: Acumulação do capital e megaeventos esportivos
Nilso Ouriques - Unoesc/ Brasil
Marcelo Proni – Unicamp/Brasil
Nildo Ouriques - UFSC - Brasil
- Tarde – UFSC e Hall da Reitoria
14h30 – 18h – Apresentação de Trabalhos
- Noite – Auditório da Reitoria
19h – Conferência: Tema: Cidades, Participação Popular, Economia e os
legados dos megaeventos esportivos
Eddie Cottle - África do Sul - Autor do livro “South África`s Wold Cup: A
Legacy For Whom?” (Copa do Mundo da África do Sul: um legado para
quem?)
Raumar Rodrigues Gimenez – Universidade Republica do Uruguai
12 de abril de 2013
- Manhã – Auditório da Reitoria
9h - Conferência: O impacto dos megaeventos nas comunidades
Renato Cosentino Vianna Guimarães - Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas
Paulo Ricardo do Canto Capela - UFSC/Brasil
Informações:
www.iela.ufsc.br
iela@iela.ufsc.br
48. 37216483 – 3721-4938 - 99078877
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terça-feira, 19 de março de 2013
programação confirmada
MEGAEVENTOS ESPORTIVOS - SEUS IMPACTOS, CONSEQUÊNCIAS E LEGADOS PARA O
CONTINENTE LATINO-AMERICANO
9 de abril
- Noite – Auditório da Reitoria – UFSC
18h30 – Abertura oficial das VII Jornadas Bolivarianas
19h – Conferência de abertura: Os Megaeventos Esportivos: Impactos,
Consequências e Legados para o Continente Latino-Americano
Conferencista: Jaime Breilh/ Equador - Doutor e Diretor da Área de Saúde
da Universidad Andina Simón Bolivar. Coordenador do Global Health para a
América
10 de abril
- Manhã – Auditório da Reitoria - UFSC
9h – Conferência: O Estado, os Movimentos Sociais, as Políticas Públicas
de Esporte e Lazer e os Direitos Sociais frente aos Megaeventos
Esportivos
Antonio Becali Garrido, Reitor da Universidad de Ciencias de la Cultura
Física y el Deporte - Cuba
Fernando Mascarenhas UNB, Brasília, Brasil
- Tarde – UFSC e Hall da Reitoria
14h30 – 18h – Apresentação de Trabalhos
- Noite - Auditório da Reitoria
18h30 - Conferência: A Mídia, o Jornalismo Esportivo e a Cobertura dos
Megaeventos Esportivos
Juca Kfouri - São Paulo
Maurício Mejía - México
11 de abril
- Manhã – Auditório da Reitoria
9h – Conferência: Acumulação do capital e megaeventos esportivos
Nilso Ouriques - Unoesc/ Brasil
Marcelo Proni – Unicamp/Brasil
Nildo Ouriques - UFSC - Brasil
- Tarde – UFSC e Hall da Reitoria
14h30 – 18h – Apresentação de Trabalhos
- Noite – Auditório da Reitoria
19h – Conferência: Tema: Cidades, Participação Popular, Economia e os
legados dos megaeventos esportivos
Eddie Cottle - África do Sul - Autor do livro “South África`s Wold Cup: A
Legacy For Whom?” (Copa do Mundo da África do Sul: um legado para
quem?)
Raumar Rodrigues Gimenez – Universidade Republica do Uruguai
12 de abril
- Manhã – Auditório da Reitoria
9h - Conferência: O impacto dos megaeventos nas comunidades
Renato Cosentino Vianna Guimarães - Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas
Paulo Ricardo do Canto Capela - UFSC/Brasil
Informações:
www.iela.ufsc.br
iela@iela.ufsc.br
48. 37216483 – 3721-4938 - 99078877
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terça-feira, 19 de março de 2013
programação confirmada
MEGAEVENTOS ESPORTIVOS - SEUS IMPACTOS, CONSEQUÊNCIAS E LEGADOS PARA O
CONTINENTE LATINO-AMERICANO
9 de abril
- Noite – Auditório da Reitoria – UFSC
18h30 – Abertura oficial das VII Jornadas Bolivarianas
19h – Conferência de abertura: Os Megaeventos Esportivos: Impactos,
Consequências e Legados para o Continente Latino-Americano
Conferencista: Jaime Breilh/ Equador - Doutor e Diretor da Área de Saúde
da Universidad Andina Simón Bolivar. Coordenador do Global Health para a
América
10 de abril
- Manhã – Auditório da Reitoria - UFSC
9h – Conferência: O Estado, os Movimentos Sociais, as Políticas Públicas
de Esporte e Lazer e os Direitos Sociais frente aos Megaeventos
Esportivos
Antonio Becali Garrido, Reitor da Universidad de Ciencias de la Cultura
Física y el Deporte - Cuba
Fernando Mascarenhas UNB, Brasília, Brasil
- Tarde – UFSC e Hall da Reitoria
14h30 – 18h – Apresentação de Trabalhos
- Noite - Auditório da Reitoria
18h30 maracanã
- Conferência: A Mídia, o Jornalismo Esportivo e a Cobertura dos
Megaeventos Esportivos
Juca Kfouri - São Paulo
Maurício Mejía - México
11 de abril
- Manhã – Auditório da Reitoria
9h – Conferência: Acumulação do capital e megaeventos esportivos
Nilso Ouriques - Unoesc/ Brasil
Marcelo Proni – Unicamp/Brasil
Nildo Ouriques - UFSC - Brasil
- Tarde – UFSC e Hall da Reitoria
14h30 – 18h – Apresentação de Trabalhos
- Noite – Auditório da Reitoria
19h – Conferência: Tema: Cidades, Participação Popular, Economia e os
legados dos megaeventos esportivos
Eddie Cottle - África do Sul - Autor do livro “South África`s Wold Cup: A
Legacy For Whom?” (Copa do Mundo da África do Sul: um legado para
quem?)
Raumar Rodrigues Gimenez – Universidade Republica do Uruguai
12 de abril
- Manhã – Auditório da Reitoria
9h - Conferência: O impacto dos megaeventos nas comunidades
Renato Cosentino Vianna Guimarães - Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas
Paulo Ricardo do Canto Capela - UFSC/Brasil
Informações:
www.iela.ufsc.br
iela@iela.ufsc.br
48. 37216483 – 3721-4938 - 99078877
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Marcadores: Copa 2014
segunda-feira, 25 de março de 2013
Na marca do pênalti
As Jornadas Bolivarianas de 2013 terão como tema os megaeventos
esportivos, vistos nos seus variados aspectos: econômico, político, de
mobilização popular, cultural, saúde, organização urbana. A proposta
deste seminário internacional, que acontece na Universidade Federal de
Santa Catarina (UFSC) há nove edições, é de fazer um debate crítico,
saindo do lugar comum que se vê na mídia comercial, de ufanismos e
maravilhas. Eventos desta natureza, muito mais do que propiciar lazer e
divertimento tornaram-se espaços de acumulação do capital. Com eles,
muito poucos têm grandes lucros e a maioria das populações dos lugares
onde acontecem acabam tendo apenas ganhos periféricos, quando não vivem
processos violentos de remoção.
Para compreender de forma crítica este atualíssimo modo de acumulação
capitalista, o Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA/UFSC) traz a
Florianópolis, de 9 a 12 de abril, renomados estudiosos e líderes
populares de vários países. A abertura, no dia 9 de abril, contará com a
presença do equatoriano Jaime Breilh, da Universidad Andina Simón
Bolívar. Jaime é médico e um dos fundadores do movimento
latino-americano da nova saúde pública, sendo o foco do seu trabalho a
discussão da saúde esportiva como negócio e prática destrutiva. Segundo
ele, a lógica dos megaeventos desfaz de maneira cabal a ideia do esporte
como sinônimo de saúde.
Outra presença significativa é a do cubano Antonio Becali Garrido,
reitor da Universidad de Ciencias de la Cultura Física y el Deporte, que
trará para o debate a concepção cubana de esporte e sua posição diante
dos megaeventos. Participa também o professor Fernando Mascarenhas, da
Universidade de Brasília, com larga trajetória na discussão do esporte
brasileiro, tendo sido membro do Conselho Nacional do Esporte e
presidente do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte.
Raumar Rodrigues Gimenez, professor da Universidad Nacional de Uruguai,
traz a reflexão do esporte como espaço de cultura e analisa os efeitos
dos megaeventos nesta perspectiva. Marcelo Weishaupt Proni, professor da
Unicamp, atua na área da economia do esporte, tendo forte atuação na
crítica do futebol-empresa e dos impactos que megaeventos esportivos
geram nas economias locais. Nilso Ouriques, professor da Unoesc, que
recentemente lançou um retrato do esporte catarinense com o livro "A
miséria do esporte", faz a discussão da acumulação do capital gerada por
megaeventos esportivos.
No campo da mídia, as jornadas contarão com a presença de dois
jornalistas de visão crítica. Um deles é o brasileiro Juca Kfouri, da
ESPN, conhecido por sua seriedade, coragem e profissionalismo. Um ícone
do pensamento crítico no mundo esportivo. O outro é o jornalista
mexicano Maurício Mejía, também bastante conhecido no México por sua
visão diferenciada no debate esportivo, saindo do senso comum, típico da
mídia comercial.
Outro estudioso que fará sua conferência nas Jornadas é o maracanã
sul-africano Eddie Cottle, que lançou há pouco tempo um denso trabalho
sobre a Copa do Mundo realizada no seu país. Olhando o evento desde o
campo popular e na perspectiva dos trabalhadores, Eddie poderá mostrar
como a África do Sul foi afetada e quais os impactos deixados na
população.
Já o representante do debate popular no Brasil será Renato Cosentino
Vianna Guimarães , do Comitê Popular Rio Copa Olimpíadas, entidade que
vem travando batalhas importantes pelo direito ao esporte e à vida,
principalmente no que diz respeito aos despejos e à privatização do
Maracanã. Paulo Ricardo do Canto Capela, presidente do Iela e professor
do Centro de Esportes da UFSC, encerra o evento, discutindo a
necessidade de o esporte sair da órbita do negócio e se encarnar no
mundo da vida.
As atividades das Jornadas Bolivarianas – 9ª. edição - começam numa
terça-feira, 9 de abril de 2013, a partir das 18h30min. Veja a
programação completa:
IX Jornadas Bolivarianas
MEGAEVENTOS ESPORTIVOS - SEUS IMPACTOS, CONSEQUÊNCIAS E LEGADOS PARA O
CONTINENTE LATINO-AMERICANO
9 de abril de 2013
- Noite – Auditório da Reitoria – UFSC
18h30 – Abertura oficial das IX Jornadas Bolivarianas
19h – Conferência de abertura: Os Megaeventos Esportivos: Impactos,
Consequências e Legados para o Continente Latino-Americano
Conferencista: Jaime Breilh/ Equador - Doutor e Diretor da Área de Saúde
da Universidad Andina Simón Bolivar. Coordenador do Global Health para a
América
10 de abril de 2013
- Manhã – Auditório da Reitoria - UFSC
9h – Conferência: O Estado, os Movimentos Sociais, as Políticas Públicas
de Esporte e Lazer e os Direitos Sociais frente aos Megaeventos
Esportivos
Antonio Becali Garrido, Reitor da Universidad de Ciencias de la Cultura
Física y el Deporte - Cuba
Fernando Mascarenhas UNB, Brasília, Brasil
- Tarde – UFSC e Hall da Reitoria
14h30 – 18h – Apresentação de Trabalhos
- Noite - Auditório da Reitoria
18h30 - Conferência: A Mídia, o Jornalismo Esportivo e a Cobertura dos
Megaeventos Esportivos
Juca Kfouri - São Paulo
Maurício Mejía - México
11 de abril de 2013
- Manhã – Auditório da Reitoria
9h – Conferência: Acumulação do capital e megaeventos esportivos
Nilso Ouriques - Unoesc/ Brasil
Marcelo Proni – Unicamp/Brasil
Nildo Ouriques - UFSC - Brasil
- Tarde – UFSC e Hall da Reitoria
14h30 – 18h – Apresentação de Trabalhos
- Noite – Auditório da Reitoria
19h – Conferência: Tema: Cidades, Participação Popular, Economia e os
legados dos megaeventos esportivos
Eddie Cottle - África do Sul - Autor do livro “South África`s Wold Cup: A
Legacy For Whom?” (Copa do Mundo da África do Sul: um legado para
quem?)
Raumar Rodrigues Gimenez – Universidade Republica do Uruguai
12 de abril de 2013
- Manhã – Auditório da Reitoria
9h - Conferência: O impacto dos megaeventos nas comunidades
Renato Cosentino Vianna Guimarães - Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas
Paulo Ricardo do Canto Capela - UFSC/Brasil
Informações:
www.iela.ufsc.br
iela@iela.ufsc.br
48. 37216483 – 3721-4938 - 99078877
Postado por elaine tavares às 09:58 Nenhum comentário:
terça-feira, 19 de março de 2013
Está chegando a hora das Jornadas Bolivarianas 2013 na UFSC
http://www.jornadasbolivarianas.blogspot.com.br/
III Semana Paulo Freire na UFSC
Nos dias 19 a 21 de setembro de 2011, no Centro de Desportos da UFSC, será realizada a III Semana Paulo Freire, organizada pelo VITRAL em parceria com o Programa de Educação Tutorial da Educação Física - UFSC; MUP - Movimento por uma Universidade Popular e Grupo Pandorga (Centro de Ciências da Educação).
Há uma extensa programação, que pode ser acompanhada em
http://semanapaulofreirenaufsc.blogspot.com/
Inscrições no local, participação ativa e gratuita!
Há uma extensa programação, que pode ser acompanhada em
http://semanapaulofreirenaufsc.blogspot.com/
Inscrições no local, participação ativa e gratuita!
Lançamento de novo livro de pesquisadores do VITRAL
No segundo semestre de 2011, em agosto, deverá ser lançado novo livro...
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